sexta-feira, 29 de abril de 2011

STJ manda soltar promotora suspeita de envolvimento no mensalão do DEM

Deborah Guerner é acusada de atrapalhar investigação sobre o esquema no DF
A promotora de Justiça, Débora Guerner (foto), e seu marido, o ex-procurador geral de Justiça, Jorge Guerner, por determinação do STJ (Superior Tribunal de Justiça) anunciada hoje, 28, estão de volta à liberdade. O casal estava preso na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, desde a semana passada, sob a acusação de atrapalhar as investigações do esquema de corrupção e participação no esquema do mensalão do DEM no Distrito Federal. A soltura do casal aconteceu na noite desta quinta-feira.
Antes da liberação da promotora e do ex-procurador, o STJ ainda precisava determinar a soltura ao TRF (Tribunal Regional Federal), destacou o advogado de defesa do casal, Pedro Paulo Medeiros.
O juiz João Otávio Noronha entendeu que os acusados podem sair do país e que não havia impedimento na viagem. Eles, inclusive, não são obrigados a comparecer para depor.
Investigação
Ao fingir uma doença, conforme demonstra gravações do circuito interno da casa da promotora, a estratégia de Deborah, segundo a investigação, seria evitar a aplicação de alguma pena por envolvimento no escândalo de corrupção no DF, obstruir diligências – como faltar a depoimento – e garantir uma aposentadoria compulsória por invalidez, com um salário de mais de R$ 20 mil. Deborah e seu marido são acusados, entre outras coisas, de cobrarem propina do ex-governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, para garantir a proteção do Ministério Público em uma ação que contaria com a participação do ex-chefe dos promotores de Brasília, Leonardo Bandarra.
Acusação
A promotora é suspeita de atuar junto ao ex-procurador-geral de Justiça do Distrito Federal Leonardo Bandarra para proteger o ex-governador José Roberto Arruda. A principal acusação é de que teriam exigido R$ 2 milhões para ocultar vídeo em que o ex-governador Arruda recebe um maço de dinheiro do delator do esquema, o ex-secretário Durval Barbosa.
Em um vídeo divulgado pela PF, Bandarra e Guerner aparecem na casa da promotora possivelmente discutindo o andamento do pedido de propina. Em outro trecho, o marido de Deborah coloca maços de dinheiro em um cofre. Após uma operação de busca e apreensão na casa, a polícia encontrou o cofre enterrado no quintal.
No dia 6 de abril, o CNPM (Conselho Nacional do Ministério Público) suspendeu o julgamento que analisaria a demissão de Deborah e Bandarra dos quadros do Ministério Público pelos crimes de violação de sigilo funcional e recebimento de propina. Agora, o caso deve ser novamente avaliado no dia 17 de maio.

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