terça-feira, 27 de agosto de 2019

CÃO TERAPIA É NOVIDADE NA SANTA CASA

A fêmea Sissi, da raça goldem retriever e o shitsu Nagay fizeram sua primeira visita ao Hospital na última sexta
O Hospital da Santa Casa de Misericórdia de Poços de Caldas, município do Sul de Minas Gerais, recebeu na última sexta-feira, 23, a primeira ação de Cão Terapia. A golden retriever Sissi e o shitsu Nagay passearam no Hospital e fizeram a alegria dos pacientes de diversas alas, desde a Oncologia até a Pediatria.
A iniciativa pioneira foi da clínica Gatino Fitness que, com o aval da Comissão de Controle de Infecções Hospitalares (CCIH) da Santa Casa, iniciou suas atividades que serão semanais, seguindo protocolo já existente para ações como essa.
"A ideia é em realmente levar mais alegria e até idealizar esta aproximação entre os cães e os pacientes aqui do Hospital", afirmou a coordenadora da Cão Terapia, Dra. Maura Dias Adriano.
Uma cerimônia foi realizada no hall de entrada da Santa Casa e contou com a presença da secretária Municipal de Administração, Ana Alice de Souza, além de vereadores da atual legislatura, como Álvaro Cagnani, o representante do deputado Mauro Tramonte, Demilton Vacarelli, e representes da direção do Hospital.
"Desde que assumimos a direção da Santa Casa, temos buscado ações com enfoque na humanização de nossos leitos. Com a Gatino Fitness e seus cães na Cão Terapia, e com essa parceria com a equipe da PUC, alcançamos mais esse objetivo no Hospital”, afirmou o superintendente da Santa Casa, Azer Elias Zenun.
Além da ação, que será semanal, a terapia também traz uma nova parceria com a PUC Poços de Caldas. Estagiários de Medicina Veterinária e Medicina acompanharão o processo juntamente aos profissionais e adestradores.
De acordo com a médica veterinária e representante da PUC, Andrea Rentz Ribeiro, tudo vêm agregar no aprendizado dos alunos. "Por um lado, os alunos de veterinária, poderão aprender este método e difundir quando se tornarem profissionais e por outro, aos nossos futuros médicos, todos poderão analisar as reações dos pacientes e benefícios na prática com cães”, pontua.
A próxima ação está agendada para essa quarta-feira, 28, às 15h.
Fotos: Rafael Santos – Ascom Santa Casa
Fonte: Ascom Santa Casa

CULTIVAR DE MILHO BRANCO É ALTERNATIVA PARA PANIFICAÇÃO SEM GLÚTEN

Variedade apresenta teores de proteínas e minerais, como cobre, manganês, ferro e zinco, superiores aos do milho tradicional
Uma nova cultivar de milho branco apresenta características que a tornam alternativa ao trigo para produção de farinha. O milho BRS 015 Farináceo Branco ainda tem potencial para panificação com foco em públicos com restrição de consumo de glúten, uma vez que grãos de milho não contêm essa substância. O novo cereal será lançado pela Embrapa Clima Temperado (RS) na próxima quinta-feira, 29, durante a Expointer, em Esteio (RS).
Por sua composição, a variedade apresenta farinha de menor granulometria, ou seja, mais fina do que as obtidas a partir de variedades tradicionais de milho. O melhor desempenho na moagem em comparação a essas variedades também pode resultar em rendimento de extração de amido de 40%, o que ajuda a dar estrutura e deixar as massas mais macias. Esse teor ajuda a compensar a ausência do glúten, responsável por dar estrutura e deixar as massas mais macias.
Outro destaque é a cor do grão que, mesmo integral, gera uma farinha branca. Isso, somado à baixa granulometria, resulta em pães e biscoitos similares aos obtidos a partir do trigo. “Quando fazemos um pão com a farinha de milho branco, ele fica com aspecto mais bonito e a massa mais coesa. Não fica esfarelando. Geralmente, o milho amarelo não dá uma característica boa para a coesividade do pão", explica a pesquisadora do Núcleo de Alimentos da Embrapa Clima Temperado Ana Cristina Krolow.
Comparações com uma variedade de milho comercial realizadas na Embrapa Agroindústria de Alimentos (RJ), onde o cereal foi transformado em fubá e farinha, indicam, de fato, que o novo milho farináceo é mais mole, mais facilmente triturado e que, portanto, produz mais farinha, sendo menos arenoso em textura. Segundo avaliação do pesquisador Rogério Germani, a indicação é para agregação a pães, biscoitos e bolos, mas não para produção de salgadinhos (snacks), que exigem material mais grosso. Além disso, o material tem mais facilidade de cocção, com gel mais viscoso após o resfriamento.
Atualmente, a farinha de trigo é a mais empregada em panificação no Brasil. De acordo com a Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), a produção nacional de farinha no país, em 2018, foi de 9,1 mil toneladas e o consumo médio por pessoa de 45,6 kg. Mas a presença de glúten inviabiliza o consumo pelos cerca de dois milhões de brasileiros afetados pela doença celíaca, segundo dados da Federação Nacional das Associações de Celíacos do Brasil (Fenacelbra).
Por isso, os pesquisadores enxergam no novo material uma oportunidade de mercado. "O nosso objetivo é disponibilizar o material para agricultores familiares e entrar em nichos de mercado, principalmente para celíacos ou pessoas que fazem dieta com menos glúten", declara um dos pesquisadores responsáveis pela cultivar, Éberson Eicholz.
Maiores Teores de Minerais
Análises físico-químicas do grão, que indicam sua composição, também foram realizadas nos laboratórios da Embrapa, onde foram avaliados os teores de umidade, fibras, gordura, proteínas e minerais. Segundo Ana Cristina, a variedade apresentou teores de proteínas e minerais, como cobre, manganês, ferro e zinco, superiores aos do milho tradicional.
Uma fatia de 100g de pão feito de farinha obtida a partir da variedade corresponde a 31% das necessidades de ingestão de ferro segundo a tabela de Ingestão Diária Recomendada para adultos (IDR) da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). "Isso é um bom resultado para esse milho, haja vista que outros milhos amarelos não têm uma concentração tão elevada de ferro", afirma.
Os resultados ainda indicam que 100g desse grão correspondem a 2,8% das necessidades de ingestão de cálcio, 106% de magnésio, 12% de fósforo, 41% de manganês e 22% de cobre. E que seus teores de proteínas, gordura e fibra bruta correspondem a 12%, 8% e 11% das necessidades diárias recomendadas para adultos saudáveis, respectivamente.
A sugestão é que, a partir dos grãos da BRS 015FB, seja produzida farinha integral, de maneira que ela incorpore os óleos naturais do milho – gorduras consideradas boas e responsáveis pelo bom funcionamento do organismo.
Valorização x Produção Menor
O milho BRS 015 Farináceo Branco padroniza uma variedade crioula cultivada e mantida pelos agricultores familiares da região Sul do Rio Grande do Sul. São plantas de porte baixo, com pouco mais de dois metros de altura, o que facilita a colheita e o manejo. A produção média é de cinco mil quilos por hectare, com uma espiga por planta. "Acaba sendo mais eficiente porque tem uma maior produção direcionada à espiga", explica Eicholz.
Apesar de ter porte menor e produzir menos do que as variedades tradicionais de milho, o BRS 015 Farináceo Branco tem como diferencial o apelo a um nicho, o que tende a aumentar o seu valor de mercado. A intenção da Cooperativa União, de Canguçu (RS), uma das licenciadas para a produção de sementes, é comercializar as sementes e a farinha 30% mais caras do que as demais.
“Pretendemos agregar valor na produção dos agricultores, trazendo o milho, industrializando e levando ao nosso consumidor um produto diferenciado. Além da farinha, pretendemos incentivar a produção de sementes, comercializando a um valor superior ao das demais sementes crioulas que a gente já produzia", revela o presidente da entidade, Fabris Prestes.
De acordo com o pesquisador da Embrapa, Sérgio dos Anjos, que deu início ao trabalho de melhoramento desse material no fim da década de 1990, o enfoque foi justamente esse. "Quando comparado [a outros cereais], o milho farináceo não tem alta produtividade. Mas o que se dá ênfase é nos produtos especiais para os quais são destinados, como farinha sem glúten, milho-verde e, inclusive, massa sem glúten, que era uma das propostas do nosso trabalho à época", conta.
Dado seu apelo a um público preocupado com questões ligadas à saúde, a variedade também é indicada à produção orgânica. “Ela tem sido avaliada na produção orgânica há alguns anos e apresentado uma boa produtividade. O interessante é agregar valor à farinha pela introdução no sistema orgânico", completa Eicholz.
Agronomicamente, o ciclo até o chamado pendoamento, quando as primeiras espigas aparecem, é precoce. Gira em torno de 70 dias. A partir daí, são mais 50 para enchimento dos grãos. No total, são 120 dias para a maturação completa após o plantio, quando ocorre a colheita. Além disso, a cultivar é de polinização aberta (varietal), permitindo o replantio nas próximas safras sem a necessidade de compra de novas sementes. Isso reduz custos e dá mais independência aos agricultores.
A qualidade do grão também torna a variedade apta para produção de milho-verde. Dessa forma, em que o milho é colhido e preparado antes da maturação, os grãos apresentam sabor mais adocicado. No Rio Grande do Sul, para onde a cultivar é adaptada e recomendada, o plantio ocorre de setembro a dezembro, e a colheita de janeiro a abril.
Aquisição de Sementes
A variedade tem como público-alvo, principalmente, os agricultores familiares e as pequenas agroindústrias, podendo ser utilizada em sistemas de produção orgânica. A expectativa é que o material esteja à disposição dos produtores para a safra 2019/2020. Interessados em obter sementes devem fazer contato com os multiplicadores licenciados: Cooperativa União dos Agricultores Familiares de Canguçu/RS e Cooperativa Agroecológica Nacional Terra e Vida (Coonaterra).
Cooperativa União dos Agricultores Familiares de Canguçu/RS
Av. Exército Nacional, 225
Canguçu/RS – CEP 96600-000
(53) 3252.2506
Cooperativa Agroecológica Nacional Terra e Vida (Coonaterra)/Bionatur
Assentamento Roça Nova, s/n, Interior
Caixa Postal nº. 14
Candiota/RS – CEP 96495-000
(53) 99919.4150
A História do Milho do Sul
Segundo explica o pesquisador da Embrapa, Sérgio dos Anjos, o resgate desse tipo de material teve início em 1976, a partir de um projeto financiado pelos Estados Unidos – o  Latin American Maize Project (LAMP). Essa pesquisa tinha por objetivo a conservação da variabilidade existente de milho, a oferta de sementes de milho farináceo branco à agricultura familiar e a recuperação e criação de moinhos em áreas rurais.
O milho BRS 015 Farináceo Branco é originário de material crioulo coletado na década de 1990 em São José do Norte (RS), inicialmente introduzido no Brasil pelos colonos açorianos que se instalaram no litoral Sul do país nos séculos 18 e 19. As condições ambientais da região, de ventos fortes e ausência de barreiras físicas, e os solos rasos e arenosos, condicionaram o processo de seleção natural. Isso resultou em plantas baixas, sadias, com altura de inserção de espigas baixa e bom sistema radicular.
A obtenção da cultivar se deu a partir de seleção de plantas da população original, denominada “Brancos Açorianos.” Posteriormente, entre 2003 e 2008, pesquisadores da Embrapa Clima Temperado selecionaram mais de 100 progênies (descendentes) que, combinados, deram origem ao BRS 015.
"Em relação ao farináceo branco, a gente identificava alguns defeitos. O principal é que, na espiga dele, havia grãos que tinham manchas amareladas. Por causa disso, a nossa seleção foi para tirar aquela frequência de milhos com esse defeito", explica o cientista da Embrapa. No total, o trabalho levou em torno de 10 anos, desde a coleta à seleção.
Mais informações sobre o tema podem ser obtidas através do Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC) por meio do link www.embrapa.br/fale-conosco/sac/.
Fotos: Paulo Lanzetta/Arquivo Embrapa Clima Temperado
Fonte: Embrapa Clima Temperado

sábado, 24 de agosto de 2019

SANTA CASA REALIZA 1º SIMPÓSIO DE PSICOLOGIA

O evento é alusivo ao Dia do Psicólogo, comemorado no próximo dia 27, e tem como objetivo cuidar da saúde mental dos colaboradores do Hospital
Na próxima terça-feira, 27, durante todo o dia, acontece o 1º Simpósio de Psicologia do Hospital da Santa Casa de Misericórdia de Poços de Caldas, município do Sul de Minas Gerais. O evento, organizado pela equipe de psicologia, acontecerá no Espaço Acadêmico e trará temas focados na promoção da saúde mental.
A coordenadora da equipe de psicologia, Maria Julieta Vale Gouvêa, explica que esse 1º Simpósio tem o objetivo de cuidar de quem cuida, que são os colaboradores do Hospital, promovendo um momento de reflexão para despertar no trabalhador a importância do autocuidado. “Dentro de uma instituição de saúde estamos sempre direcionados ao cuidado do outro e esquecemos muitas vezes de nos cuidar. Por isso, queremos que eles entendam, através do conhecimento, que também são importantes, que precisam ser ouvidos e cuidados”, explica.
Programação
As atividades começarão às 8h, com uma apresentação musical, seguida pela primeira palestra, às 8h15, com o tema: “Automedicação e Depressão”. A palestra será ministrada pelo Dr. Diemes Cristiano Lopes, que é médico psiquiatra. Após o coffee break, às 10h, acontece a palestra “Suicídio”, com a psicóloga Gabrille Bertozzi Krzizanski.
“Vão ser cinco palestras. Vamos falar sobre Automedicação, Depressão e Suicídio, que são temas pertinentes atualmente. Infelizmente, observamos que na área da saúde tem muitas pessoas que vão adoecendo e não procuram ajuda. Muitas vezes, elas não sabem que estão doentes e, quando se dão conta, já estão em um quadro muito grave de depressão e muitos recorrem ao suicídio”, diz a responsável técnica da equipe de Psicologia.
Na parte da tarde, a partir das 14h, acontecem duas palestras: “Síndrome de Burnout – Esgotamento Profissional”, com a psicóloga Cylmara Lacerda Gontijo, e “Cuidando de quem cuida”, com a psicóloga Kátia Maria Pacheco Saraiva. À noite, às 20h10, acontece a palestra “Ansiedade e Compulsão Alimentar”, com a psicóloga Elô Pereira.
“Teremos a palestra sobre Síndrome de Burnout, que também é um adoecimento que atinge de forma significativa os profissionais da área da saúde. Principalmente profissionais que têm jornada dupla, dois ou três empregos, às vezes trabalham 36 horas e folgam só 12 horas. Esse acúmulo de funções leva a um esgotamento físico e emocional. Vamos falar também sobre autoestima, a importância de cuidar de quem cuida, do autoconhecimento, finalizando com o tema Ansiedade e Compulsão Alimentar, que também é um assunto de grande importância atualmente, pois, percebemos que muitas pessoas canalizam a ansiedade na compulsão alimentar, desencadeando outros processos prejudiciais a saúde, como: obesidade, baixa autoestima, sedentarismo, entre outros”, completa Maria Julieta.
Na foto ao lado, a equipe de psicologia da Santa Casa, que é formada, hoje, por seis psicólogas: Maria Julieta Vale Gouvêa, responsável técnica pela equipe, pela CTI Adulto e Departamento de Enfermagem; Amália Poloni Bruzadelli, responsável pelas Alas A, B e C, além da Urgência/Emergência e RH; Janaína Maria Remédio Salvador, responsável pelo setor de Hemodiálise; Patrícia Pastro Geraldi, responsável por RH, Maternidade e Pediatria; Milena Rossi Suedt responsável pela Unacon e Cuidados Paliativos; e, Patrícia Lima Azzolini, responsável pelo setor de Bariátrica e CTI Neonatal.
Fonte: Ascom Santa Casa

RETÓRICA AMBIENTAL MOTIVOU MAL-ESTAR ENTRE MINISTROS

Atritos se intensificaram após a conclusão do acordo entre Mercosul e União Europeia, em julho deste ano
A postura do ministro Meio Ambiente, Ricardo Salles, já preocupava uma ala do governo semanas antes da crise ambiental na Amazônia ganhar repercussão internacional. A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, esboçava insatisfação com o discurso dele desde julho, mas evitou bater de frente com Salles para não contrariar parte da bancada ruralista que apoia o posicionamento mais radical.
Segundo aliados, a ministra da Agricultura (foto ao lado) ficou insatisfeita com o trabalho de Salles por avaliar que ele começou a prejudicar negociações comerciais do agronegócio. Os atritos, de acordo com relatos, se intensificaram após a conclusão do acordo entre Mercosul e União Europeia, em julho, que precisa ser ratificado pelo Parlamento Europeu e pelos países-membros, onde os representantes de partidos ambientalistas ganharam força nas últimas eleições.
Nos bastidores, Tereza Cristina chegou a dizer que Salles é "pouco maleável" e que a situação com ele "está difícil". Segundo pessoas próximas, a relação entre eles "esfriou" há alguns meses por causa das divergências sobre o discurso a ser adotado sobre questões como preservação de florestas e desmatamento.
No governo, a avaliação é de que Salles (foto ao lado) apenas reflete a visão do presidente Jair Bolsonaro sobre temas ambientais. Nas redes sociais, o ministro do Meio Ambiente manteve a postura de confronto diante da crise, com publicações contra Organizações Não Governamentais (ONGs), novos questionamentos a dados científicos e críticas ao presidente francês Emmanuel Macron, que pode colocar em risco o acordo Mercosul-UE.
Nesta sexta-feira, 23, mais cedo, o presidente Jair Bolsonaro sinalizou apoio ao ministro do Meio Ambiente ao chegar ao seu lado na Cerimônia do Dia do Soldado, no Quartel General do Exército, em Brasília. Em discurso, Bolsonaro reforçou em mais de um momento que há "confiança mútua" entre ele e seus ministros.
Proteger “a Qualquer Custo”
No coração da Amazônia, os indígenas Mura prometeram proteger suas terras ancestrais em meio a ameaças de fazendeiros, madeireiros e incêndios devastadores.
Fonte: Estadão

PRIVATIZAÇÃO DOS CORREIOS É RECHAÇADA EM AUDIÊNCIA

Funcionários relataram sucateamento proposital da empresa e mencionaram impactos que medida traria ao cidadão
Participantes de audiência pública, realizada na noite da última quarta-feira, 21, se posicionaram contrariamente à privatização da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT). Em reunião da Comissão do Trabalho, da Previdência e da Assistência Social da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), trabalhadores de diversas áreas da empresa lotaram o Auditório José Alencar e relataram um processo de sucateamento proposital dos Correios de uns anos para cá.
A reunião foi realizada no mesmo dia em que o governo federal anunciou uma lista com 17 empresas públicas a serem privatizadas. Segundo notícias publicadas pela imprensa, o presidente Jair Bolsonaro salientou que o processo deve começar pelos Correios. O anúncio motivou pronunciamentos de presentes no encontro.
A deputada Beatriz Cerqueira (PT), que solicitou a reunião, chamou os participantes a se levantarem das cadeiras e darem as mãos em um ato contra a medida. Para ela, o serviço dos Correios não deve ser prestado por uma empresa privada. “O momento é muito grave”, afirmou a parlamentar.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos e Similares do Estado, Robson Gomes Silva (foto ao lado), defendeu que é importante esclarecer para a população alguns aspectos sobre o assunto e mobilizá-la contra a privatização dos Correios. Em sua opinião, a medida acarretaria de imediato no aumento das tarifas para a sociedade.
Outro impacto para a população, conforme ressaltou, seria a extinção da entrega de cartas e encomendas nos interiores no País, nos aglomerados e favelas. Ele disse ainda que ninguém privatiza o que não dá lucro. “Os Correios não foram criados para dar lucro, mas mesmo assim são uma empresa altamente lucrativa”, disse.
Desmonte
Robson Gomes acrescentou que o desmonte dos Correios é intencional e visa a um processo de privatização. O presidente da Associação Mineira dos Aposentados, Pensionistas e Aposentáveis dos Correios, Paulo Arlindo Magalhães, também defendeu esse ponto de vista e questionou a quem interessa a privatização da empresa.
Já o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos e Similares de Uberaba e Região, Wolnei Cápolli Dias, perguntou qual vai ser o futuro dos trabalhadores dos Correios. “Não entendemos a passividade da nossa categoria”, lamentou.
Reforçou as palavras de Wolnei o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Empresa de Comunicação Postal, Telegráfica e Similares de Juiz de Fora e Região, João Ricardo Guedes. “Hoje o presidente confirmou a intenção de privatizar os Correios. Agora, não nos resta outra medida a não ser irmos para a luta”, enfatizou.
Trabalho
O assessor político do Sindicato dos Trabalhadores nas Empresas de Correios e Telégrafos e Similares (Sintect-MG), Pedro Paulo de Abreu Pinheiro, destacou que a produtividade exigida dos funcionários dos Correios é alta, quando comparada a outros países, e o salário, muito menor.
População Desconhece Papel dos Correios
De acordo com o diretor de Relações Funcionais da Associação dos Profissionais dos Correios (ADCAP), José Maria dos Santos Silva, apesar de utilizar os Correios, a população não os conhece a fundo. Ele explicou que a empresa existe para cumprir previsão contida na Constituição Federal de manter o serviço postal.
Conforme contou, não se trata de uma estatal dependente do governo e, portanto, não dá prejuízo à União. “O que dá lucro nos Correios é o mercado de encomendas. O de cartas não dá. Mas a empresa não foi criada para dar lucro e sim para manter o serviço postal”, afirmou.
Além disso, acrescentou que a empresa tem agências em todos os municípios do Brasil, um País de grandes dimensões, onde a logística é complexa.
José Maria destacou ainda que a tarifa postal praticada pelos Correios fica abaixo da média mundial e que a qualidade operacional melhora desde o segundo trimestre de 2018. “Nesse contexto, não se justifica falar em privatização. Seria motivo de orgulho em qualquer lugar”, pontuou.
Luta Contra o Desmonte
O deputado Celinho Sintrocel (PCdoB), que preside a comissão, falou que é preciso lutar contra o desmonte das instituições e a perda da soberania nacional, propostos pelo governo federal. Ele contou que, em todos os países onde empresas como os Correios foram privatizadas, houve redução da qualidade do serviço.
“A entrega do nosso País não pode ser permitida. Os pobres e trabalhadores vão pagar a conta”, disse. O deputado manifestou ainda preocupação com a possibilidade de demissão em massa, caso a iniciativa prospere.
A deputada Andréia de Jesus (Psol) falou que a precarização do trabalho nos Correios já pode ser percebida há um tempo. Ela enfatizou que a privatização leva à perda de soberania do País.
Fonte: Ascom ALMG

AGROTÓXICO USADO NO BRASIL PODE MATAR

Mesmo as menores doses de agrotóxicos usados no Brasil podem levar à morte e deformidades físicas
Nova pesquisa revelou que 10 agrotóxicos utilizados no Brasil podem ter efeitos nocivos à saúde ainda que estejam nas doses "seguras" (ou até três vezes menores), recomendadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), pelo Ministério da Saúde e indicadas nas próprias bulas dos produtos.
A situação é alarmante, de acordo com a autora do estudo, a bióloga Mônica Lopes-Ferreira, doutora em imunologia e especialista em bioquímica e farmacologia, do Centro de Toxinas Resposta Imune e Sinalização Celular (CETICs).
Agrotóxicos no Brasil
A pesquisa, iniciada no final do ano passado e finalizada neste ano, é uma parceria do Ministério da Saúde com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Nela, os agrotóxicos foram testados nas mais diversas doses, desde as menores concentrações até valores maiores, que proibidos.
São eles:
ü Abamectina
ü Acefato
ü Alfacipermetrina
ü Bendiocar
ü Carbofurano
ü Diazinon
ü Etofenprox
ü Glifosato
ü Malathion
ü Piriproxifemo
Dentre eles, os piores foram o glicosato, o malathion, piriproxifemo, porque seus efeitos nocivos já foram observados dentro de apenas 24 horas e levaram à morte.
O glifosato é um dos agrotóxicos mais comuns no mundo e um dos mais utilizados no Brasil. Ainda há controvérsias sobre a liberação do uso e dos seus efeitos no ser humano e no meio ambiente. Mas ele já foi considerado com alto potencial cancerígeno pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e proibido na União Europeia (UE).
Entretanto, além dele, mais de 290 tipos já foram liberados só em 2019 no Brasil, sendo 41% deles de extrema ou alta toxicidade e 32% já proibidos na UE. São mais de 500 agrotóxicos permitidos no país, e de acordo com a Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias (Embrapa), o consumo atual ultrapassa cerca de 130 mil toneladas.
Perigos dos Agrotóxicos
Os testes foram realizados por meio da Plataforma Zebrafish, uma metodologia científica internacional que testa toxinas nos peixes-zebra (conhecidos como Paulistinha por aqui), animais que são 70% geneticamente similares ao ser humano.
Trazida ao Brasil com apoio da Fapesp, o método é confiável e facilita o trabalho por três motivos, de acordo com a bióloga.
Primeiro porque o peixe se desenvolve muito rápido, então é possível analisar os efeitos das toxinas em menos tempo. Segundo porque ele é transparente, então é possível realizar uma observação do que está acontecendo dentro do animal ao vivo. E o fato dele ser muito semelhante ao humano sugere fortemente a possibilidade de que o mesmo aconteça conosco.
As análises avaliaram diferentes concentrações dos agrotóxicos com ovas de 20 embriões, em intervalos de 24, 48, 72 e 96 horas, para verificar a taxa de mortalidade, as anomalias, malformações, efeitos colaterais, e em qual fase da vida elas poderiam acontecer.
"A gente observou que alguns peixes morreram, outros não desenvolveram uma nadadeira, um olho, ficaram com edema cardíaco, problema na coluna, ausência de coloração, por exemplo", explicou a pesquisadora Mônica.
Segundo a especialista, o intuito da pesquisa não é ocasionar a proibição geral dos agrotóxicos. "Não sou contra a agricultura, nem o agronegócio nem aos agrotóxicos. Sou filha de um agricultor. Mas acho que nós temos que ter cuidado no manejo, na dose, usar mais pesticidas biológicos".
Os relatórios do estudo já estão em posse da Fiocruz e do Ministério da Saúde, responsáveis pela publicação oficial da pesquisa no meio científico, mas ainda não foram publicados.
Mas "diante dos resultados, poderia se buscar doses menores, realizar mais testes, em uma ação conjunta para descobrir a dose que mata a praga, mas que não causa dano à saúde", indica Mônica.
Nos Alimentos e Na Água
Encontrado nos alimentos (frutas, verduras, legumes) e também na água, o que mais preocupa nos agrotóxicos é seu efeito cumulativo, de acordo com Mônica.
"Hoje eu me alimento com o alface que eu não sabia que tinha agrotóxico. Mas se todo dia eu comer, beber ou entrar em contato com ele, os efeitos disso com o passar do tempo para mim e para meus descendentes são somatórios e podem ser graves".
Como se Proteger
Fonte: Portal Minha Vida

O MISTÉRIO DAS CENTENAS DE OSSADAS HUMANAS EM LAGO GELADO DO HIMALAIA

Ossos de centenas de pessoas intrigam cientistas desde a década de 1940
O aparecimento de ossos de centenas de pessoas em um lago na Cordilheira do Himalaia tem sido há décadas alvo de inúmeras teorias.
Seriam os restos mortais de um exército? Viajantes surpreendidos por uma tempestade? Peregrinos punidos por uma deusa?
Um novo estudo afasta quase todas as hipóteses existentes, mas, em vez de esclarecer o mistério, o complica ainda mais.
O Lago Roopkund, conhecido popularmente como Lago dos Esqueletos, fica 5.029 metros acima do nível do mar, no Estado de Uttarakhand, na Índia. É um pequeno corpo d'água de 40 metros de diâmetro localizado na rota do festival de peregrinos Nanda Devi Raj Jat, realizado a cada 12 anos.
Em 1942, um guarda florestal que trabalhava na área fez uma descoberta macabra: o degelo havia exposto os ossos de 500 a 600 pessoas.
Explicações para as causas das mortes e como os ossos chegaram a um lugar tão remoto se multiplicaram desde então.
Foi dito que eram soldados japoneses invasores. Um exército indiano retornando da guerra. Um rei e uma rainha com seu cortejo que, em sua celebração, irritaram a deusa da montanha Nanda Devi e foram fulminados por ela. Ou viajantes que ficaram presos por uma tempestade de granizo por volta do século 9.
Uma equipe internacional formada por arqueólogos, geneticistas e outros especialistas da Índia, dos Estados Unidos e da Europa assumiu a tarefa de desvendar o mistério e publicou nesta semana suas descobertas na revista científica Nature Communications.
Ossos de Três Grupos Diferentes
Até agora, os esqueletos não haviam sido submetidos a um exame tão abrangente devido à sua localização – avalanches ou deslizamentos ocorrem com frequência na área.
Peregrinos e curiosos que passam por ali às vezes manipulam os restos mortais.
Do ponto de vista científico, a única vantagem de estarem ali é o ambiente frio, que preserva não apenas os ossos, mas também o DNA neles e até mesmo em alguns restos de roupas e carne.
Os pesquisadores dataram e analisaram os ossos de 38 pessoas e determinaram que a maioria morreu há cerca de mil anos, mas não simultaneamente – algumas haviam morrido mais recentemente, no início do século 19.
Os autores separaram as ossadas em três grupos, de acordo com sua origem: um formado por 23 indivíduos do Sul da Ásia, outro composto por 14 indivíduos com ligações ao Mediterrâneo oriental, especificamente Grécia e Creta, e um indivíduo do Sudeste Asiático.
Todos os restos do Sul da Ásia datam de cerca do ano 800, embora não tenham chegado ali ao mesmo tempo. Os ossos de origem mediterrânea indicam que estas pessoas eram do início do século 19, assim como a pessoa do sudeste da Ásia.
A equipe também encontrou diferenças entre o perfil alimentar dos dois primeiros grupos. O estudo indica que os indivíduos eram saudáveis em geral.
Alguns eram robustos e altos e outros, menores – o que confirma que os restos são de pelo menos dois grupos distintos.
A equipe não detectou parentesco (de terceiro grau ou mais próximo) entre os indivíduos, o que também descarta a versão de que os esqueletos pertenciam a grupos familiares.
Assim, os resultados refutam as teorias anteriores de que a origem dos esqueletos se deve a um único evento catastrófico.
O que aconteceu então?
A análise do DNA revelou uma proporção equilibrada entre homens e mulheres, um fato difícil de conciliar com a teoria de que esses indivíduos poderiam fazer parte de uma expedição militar.
"Também não achamos evidências de que estavam infectados com patógenos bacterianos, então, a teoria de que morreram de uma epidemia não se sustentaria, embora não encontrar evidências de DNA patogênico em ossos grandes possa simplesmente significar que sua concentração é muito baixa para ser detectada", escrevem os autores.
Os pesquisadores não conseguiram dar uma resposta clara para a origem dos ossos. Em seu estudo, apontam que a hipótese de morte em massa durante um festival de peregrinação é viável, pelo menos para os indivíduos do Sul da Ásia.
"Mas o segundo grupo é mais perturbador. É tentador teorizar que eles vêm de populações indo-gregas da linhagem de Alexandre, o Grande. No entanto, isso é improvável, já que tal grupo deveria ter uma mistura mais típica do Sul da Ásia", dizem os cientistas.
Como os indivíduos deste grupo morreram em séculos mais recentes, argumentam os autores do estudo, seria interessante para futuras pesquisas analisar os arquivos da época para determinar se houve relatos de grandes grupos de viajantes estrangeiros mortos na região.
De qualquer forma, saber que os ossos vieram de lugares inesperados ou desmantelar teorias anteriores não resolve o mistério fundamental: como os restos mortais de centenas de pessoas foram parar em um remoto lago de montanha na Índia?
Fonte: Portal TV Minas